Islam Pedagogia 10 abr, 2016

Falar não para os filhos é errado? – Visão Islâmica


Toda vez que eu vou dormir, começa a passar um filme na minha cabeça, e a maioria das vezes é sobre a criação que estou dando para o meu filho. Será que agi certo? Será que fui dura demais? Acho que estou mimando muito! Ai, não era pra eu ter sido tão dura com ele’. Quase sempre me julgo está errada, mas afinal, como saber que estamos indo pelo caminho certo? A resposta esta na fé.

O Profeta Mohamad, (que a paz de Deus esteja sobre ele), era um marido extraordinário, um pai perfeito e um avô singular. Era único em todos os aspectos. Tratou seus filhos e netos com grande compaixão e sempre fez de tudo para direciona-los para o caminho certo e para boas ações.  Ele os amava e os tratava com carinho, mas não permitiu que negligenciassem assuntos relacionados à vida futura.  Mostrou-lhes como levar uma vida humana e nunca permitiu que faltassem com seus deveres religiosos ou que ficassem mimados.

Seu objetivo supremo era prepará-los para a outra vida. Seu equilíbrio perfeito nesses assuntos é outra dimensão de seu intelecto inspirado de forma divina.  Anas Ibn Malik, o ajudante do Mensageiro por 10 anos, diz:

“Nunca tinha visto um homem mais compassivo com os membros de sua família do que Muhammad.”

Aqui ja temos a primeira lição: devemos criar nosso filhos pensando no que queremos pra ele no depois. Nunca no agora. Eduque para ele se tornar uma grande pessoa no futuro, e consequentemente na outra vida ele terá a recompensa.

O Mensageiro era completamente equilibrado na forma em que educou seus filhos.  Amava muito seus filhos e netos e lhes instilou amor.  Entretanto, nunca deixou que abusassem de seu amor por eles.  Nenhum deles ousava deliberadamente fazer algo errado.  Se cometessem um erro não intencional a proteção do Mensageiro os prevenia de se desviarem ainda que ligeiramente.  Fez isso os envolvendo em amor e em uma aura de dignidade.  Por exemplo, uma vez Hassan ou Hussain queria comer uma tâmara que era para distribuir entre os pobres como caridade.  O Mensageiro imediatamente a tomou de sua mão e disse:

“Qualquer coisa dada como caridade é proibida para nós.” 

Ao ensiná-los enquanto eram jovens a serem sensíveis a atos proibidos, o Profeta, que a misericórdia e bênçãos de Deus estejam sobre ele, estabeleceu um princípio importante de educação.

“Sabe qual é a maneira mais certa de deixar seu filho infeliz? Acostumá-lo a receber tudo.” Essa frase foi escrita pelo filósofo Jean-Jacques Rousseau, no livro “Emílio ou Da Educação“, em 1762. Muitos anos antes, o profeta Mohamad (Que a paz de Deus esteja sobre ele) ja praticava isso para servir de exemplo para nós até hoje. Se você der tudo a uma criança, seus desejos só farão crescer devido à facilidade em satisfazê-los e ela terá de lidar então com sua própria ansiedade, com sua tirania e com a decepção de o pai, em algum momento, parar de atendê-lo, já que satisfazer tudo é impossível.

Ajudar os filhos a lidar com as frustrações e orientá-los sobre o que é razoável ou não os torna mais seguros e flexíveis. As crianças precisam aprender que suas atitudes têm consequências e que elas não podem fazer tudo o que quiserem.

Toda vez que retornava à Medina carregava as crianças em suas costas.  Nessas ocasiões o Mensageiro abraçava não somente seus netos, mas também os que estavam em sua casa e nas proximidades.  Conquistou seus corações através de sua compaixão.  Amava todas as crianças.

Amou sua neta Umamah.  Com frequência saía com ela em seus ombros e até a colocava em seus ombros enquanto orava.  Quando se prostrava a descia, e quando tinha terminado a oração, a colocava de volta em suas costas. O Profeta mostrou esse nível de amor a Umamah para ensinar seus seguidores homens como tratar as meninas.  Era uma necessidade vital porque uma década antes era a norma social enterrar vivas as meninas ainda bebês ou muito jovens.  Essa afeição paternal pública por uma neta nunca tinha sido vista antes na Arábia.

O Mensageiro proclamou que o Islã não permite discriminação entre filho e filha.  Como isso era possível?  Um é Muhammad, o outro é Khadija; um é Adão, o outro é Eva; um é Ali, o outro é Fátima.  Para cada grande homem existe uma grande mulher.

Assim que Fátima, a filha do Mensageiro, entrava no quarto em que o Mensageiro estava ele se levantava, tomava as mãos dela e a fazia sentar onde ele estava sentado.  Perguntava sobre a saúde e família dela, mostrava seu amor paternal por ela e a elogiava.

Esse é o Profeta e sua relação com as crianças. Um homem respeitado pelos líderes e querido e amado pelas crianças.

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